As Olimpíadas Rio 2016 serão um sucesso – mas quem irá se beneficiar?

Autor: Adam Talbot, Pesquisador Doutoral em Sociologia do Esporte na Universidade de Brighton.

Publicado originalmente no The Conversation em 26 de abril de 2016. Leia o artigo original. %22The Conversation%22 logo The Conversation


Conforme nos aproximamos mais e mais da abertura da cerimônio dos Jogos Olímpicos Rio 2016, comentadores têm feito observações minuciosas a cidade-sede com olhos atentos para imperfeições. Seja construção de estádio atrasando, o Zika vírus detendo as multidões ou a crise política ameaçando derrubar a presidente do país, cada impedimento tem sido elencado e analisado pela imprensa internacional.

Até então, o foco tem sido sobre o Rio estar pronto para um evento esportivo de 17 dias. Mas isto omite o fato de que estas preparações têm afetado os cariocas pelos últimos 7 anos, e continuarão a mudar a face da cidade por décadas ainda. Então, que impacto irão as Olimpíadas ter nos moradores do Rio – especialmente aquelas que podem não ser privilegiados o bastante para comparecer aos Jogos?

Muitas novas instaçaões esportivas estão sendo construídas para o Rio 2016, mas algumas pessoas – incluindo os membros do Comitê Olímpico Internacional – têm expressado dúvidas a respeito destas instalações serem completadas a tempo para o evento. E apesar disto, a vasta maioria das instalações estão ou já finalizadas ou dentro do cronograma, e o parque Olímpico principal está 98% completo. Além do mais, há um forte incentivo para as autoridades investirem em completar os estádios e assim evitar o embaraço global de instalações incompletas.

Ainda que gastos de última hora nos estádios custassem aos cidadãos pagadores de impostos do Rio, os trabalhos de construção têm vindo com consequências mais sinistras para aqueles vivendo nos assentamentos informais da cidade – as favelas. Muitas das comunidades-favela do Rio de Janeiro têm sido impactadas com expulsões à força na sequência de preparativos para os mega-eventos – em particular, a Vila Autódromo, que é próxima ao parque Olímpico principal.

Esta é a única favela onde o prefeito do Rio, Eduardo Paes, publicamente admite que sofreu expulsões devido às Olimpíadas, mas o grupo da sociedade civil Comitê Popular da Copa do Mundo e Olimpíadas calculou que 22.059 famílias foram expulsas através da cidade em adiantamento para os mega-eventos entre 2009 e 2015.

Infraestrutura de transporte

O sistema de transporte do Rio está recebendo um upgrade para os Jogos Olímpicos e o projeto principal é a nova linha de metrô para a vizinhança rida da zona-oeste, a Barra da Tijuca, onde o parque Olímpico principal está localizado. A construção deste projeto-chave de legado está atualmente atrasado, mas irá quase que com certeza estar pronto para transportar os expectadores para os estádios. E mesmo se a nova linha nãop estiver pronta a tempo, a cidade irá ter planos de contingência a postos para levar os fãs para os eventos.

Metro Rio, Rio de Janeiro
Linha de metrô do Rio.
Mariordo/Wikimedia Commons, CC BY-SA

Esta nova linha vai beneficiar os cidadãos ricos da Barra da Tijuca ao tirar uma grande parte do tráfego das ruas congestionadas. Ela também vai melhorar a mobilidade urbana para cerca de 70 mil residentes da maior favela do Brasil, a Rocinha, que vai também ser servida pela nova linha.

Mas, como tem sido o caso com os estádios, muitos moradores das favelas têm sido expulsos para a construção de infraestrutura de transporte – particularmente o sistema BRT (ônibus). Aparte do BRT, a cidade recentemente “racionalizou” os serviços regulares de ônibus, o que na prática significa cortar numerosas linhas. Os cortes têm adversamente afetado a mobilidade urbana para muitos morando na zona norte do Rio – tradicionalmente uma área mais pobre da cidade.

Mesmo com estes cortes para o serviço de ônibus, os preços na verdade aumentaram, sem nenhuma melhora clara na qualidade do serviço. Ao tornar o transporte impagável para aqueles vivendo na periferia, o legado Olímpico vai expandir a separação entre ricos e pobres, em uma cidade já famosa mundialmente por seus níveis de desigualdade atordoantes.

Situação ruim na saúde

O vírus Zika, transmitido por mosquistos, tem por epicentro o Brasil, e foi declarado uma emergência de saúde pública pela Organização Mundial da Saúde, o resultado é que muitos estão preocupados que o Zika vai ser um problema durante as Olimpíadas. Mas o Rio de Janeiro está a cerca de 2000Km da região nordeste pobre do Brasil onde a crise começou e os Jogos vão ocorrer em agosto quando os mosquitos são menos comuns. Enquanto isto, uma campanha nacional contra o Zika vírus educou os brasileiros sobre ações básicas que podem tomar para combater os mosquitos.

Dito isto, têm havido problemas com doenças transmitidas por mosquito, incluindo Zika, dengue e chikungunya na favela Vila Autódromo. Água parada nos terrenos de obras da Olimpíada proviram um perfeito criadouro de mosquitos.

Adicionalemtne, em dezembro, a cidade do Rio de Janeiro sofreu uma emergência de saúde pública por si só: não havia dinheiro suficiente para manter os hospitais abertos. Os gastos para Olimpíadas parecem ter sido priorizados sobre os gastos com saúde e, em alguns casos, fundos podem ter sido desviados do orçamento da saúde para financiar as Olimpíadas. No geral, os cariocas que dependem do sistema de saúde pública foram deixados numa situação ruim.

Escândalos de corrupção

Manifestação em Brasília
Protestos em Brasília, contra Dilma Rousseff.
Agência Brasil/Flickr, CC BY

A Operação Lava-Jato é uma sonda na corrupção massiva – gerida pelo Juiz Sérgio Moro – que mostrou aos brasileiros a escala da corrupção dentro do governo deles. Apesar de não haver alegações específicas contra ela [(artigo de abril)], a presidente do Brasil Dilma Rousseff encara um impeachment, e milhões de manifestantes pelo país requerem que ela resigne.

É improvável que os Jogos Olímpicos sejam afetados por esta instabilidade política, especialmente dado o papel relativamente pesqueno cumprido pelo governo federal no evento. Porém, vários contratos de contrução Olímpicos estão sob investigação pela Operação Lava-Jato. É improvável que isto afete a execução do evento, mas processos para aqueles responsáveis poe seguir-se nos anos após os Jogos.

Uma vez que as Olimpíadas acabem, muitos dos desenvolvimentos financiados publicamente serão vendidos ou repassados para desenvolvedores de propriedades. Por exemplo, o empresário Carlos Carvalho – um ferrenho apoiador do prefeito do Rio, Eduardo Paes – receberá o Parque Olímpico na Barra de Tijuca, incluindo terras que previamente eram propriedade do Estado do Rio de Janeiro. Dado que Carvalho expressou um desejo de contruir uma “cidade da elite” na área, alguém pode questionar sua adequação para herdar um Parque Olímpuco e assegurar um legado social para os Jogos.

Não há dúvidas de que o Rio 2016 será um maravilhoso espetáculo esportivo. Mas muito como a infraestrutura em si, a cobertura das Olimpíadas irá largamente falhar em considerar o que os Jogos significam para os cidadãos do Rio. Como resultado, o legado Olímpico é provavelmente algum que aumente as divisões sociais e que piore a desigualdade – uma oportunidade perdida, paratodos os cariocas.

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